terça-feira, 14 de julho de 2015

Mote: Querem rasgar a memória / de Zé Lins, o escritor.


Este é um Cordel coletivo que repudia a descaracterização do prédio onde estudou o grande escritor brasileiro, José Lins do Rego, na cidade de Itabaiana, Estado da Paraíba, composto pelos acadêmicos da ACVPB, para o grande recital que aconteceu na 3ª plenária da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, no dia 11 de julho, no auditório da Academia Paraibana de Letras. O Cordel foi idealizado pelo poeta e presidente de Academia de Cordel do Vale do Paraíba, Sander Lee.

Querem rasgar a memória / de Zé Lins, o escritor.

Li Menino de Engenho
Do escritor de Pilar
Conhecido além-mar,
Pois escreveu com empenho
Defendê-lo hoje venho
Porque sei que tem valor
Escreveu com resplendor
Viveu momentos de glória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Um ícone da literatura
Escreveu o ciclo da cana;
Estudou em Itabaiana;
Era homem de cultura
Viveu a magistratura
Foi famoso escritor
Do engenho corredor
Seguiu outra trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Foi um grande romancista
O neto de seu Paulino
Um orgulho nordestino
Ponho em primeiro na lista
Escritor regionalista
E um grande pesquisador
Merece respeito e amor
Porque ele tem história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Aqui faço um apelo
Ao povo de Itabaiana
Esta cidade bacana
Pra que tenha amor e zelo
É de arrepiar cabelo
Esta ação de desamor
Há um mau destruidor
Apagando nossa história
Querem rasga a memória
De Zé Lins o escritor!

Agradeço aos cordelistas
Desta amada academia
Que escreve com alegria
Todos são fiés artistas
Sejamos mais otimistas
Quem dá a arte valor
Vamos gritar sem temor
“Riscaram a nossa história!”
Querem rasga a memória
De Zé Lins o escritor!

© Pádua Gomes Gorrión

Como filho de Pilar
Da terra de Lins do Rego,
Desfrutando de aconchego
Hoje aqui neste lugar,
Eu não posso me calar
Diante deste clamor,
Vendo tanto desamor
Por quem marcou a história,
Querem rasgar, a memória
De Zé Lins, o escritor!

O Instituto onde estudou,
Do Professor Maciel,
Hoje está um escarcéu,
Parte já se derrubou!
O pouco que lhe restou
Espreita o demolidor
Pra seu “progresso” interpor,
Mas tudo isso é vanglória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor!

O prédio que foi cenário
De seu romance Doidinho,
Em outro Estado vizinho
Seria um gran relicário;
Mas aqui se vê o contrário,
Querem negar seu valor,
Passar por cima o trator,
Como se fosse uma escória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor!

© Antonio Costta

Se a história morresse
Grandes homens do passado
Não seriam eternizados
Por alguém que escrevesse
Talvez o homem esquecesse
De sua historia, o autor
Mesmo sem ódio ou rancor
Mude sua trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor

Vi o menino de engenho
Comendo uma bananeira
Numa cena bem ligeira
Daquele filme ferrenho
Na memória ainda tenho
Lembranças daquele ator
Que com gloria e com louvor
Interpretou a historia
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor

Com uma força tamanha
Das águas de uma maré
O Fogo Morto de Zé
Queimou as minhas entranhas
Foram sensações estranhas
Que tive lendo o autor
Pois escrevia com amor
A vida na sua historia
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor

© Walter Mario da Luz

Pensando sobre o mundo
Queria ser estrangeiro
E não ser mais brasileiro
Sem desgosto tão profundo
De outra nação oriundo
Da história conhecedor
Pra não ter que viver a dor
Contra ação tão vexatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Digo isso com tristeza
Pois eu amo minha terra
Mas se fosse na Inglaterra
Em Paris ou em Veneza
Onde a arte é riqueza
Para um povo que é leitor
Louvado seria esse autor
Conhecida sua glória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

A esse eterno menino
Lá do engenho Corredor
De romance um contador
Com seu sangue nordestino
De estilo repentino
De Pilar um descritor
Lutarei por seu valor
Pra lembrar sua trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

©Renaly Oliveira

No banco que sentou o mestre
Tem memória incrustada
A carteira bem lustrada
Esconde um ar campestre
E o saber que a investe
Tem dote e tem valor
Tem cor, brilho, tem olor
E dar o tom da história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.
.
Eu aqui vou reclamar
Desse ato tão insano
Que escapa a qualquer plano
É ilógico estudar
Quem deseja derrubar
Com força, com desamor
Um espaço de valor
Com destinação inglória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins,o escritor.
.
Se eu fosse o responsável
Por este prédio bacana
Não trocava por banana
Um lugar tão agradável
Eu seria razoável
Em atenção ao valor
Daria o meu amor
Para burilar a história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Josafá de Orós

Eu estou acabrunhado
Com notícia tão tirana
Que na nossa Itabaiana
Ta quase tudo acabado
É a foice e o machado
Derrubando muro e flor
Até a santa no andor
Ta pedindo precatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

No antigo Instituto
Do professor Maciel
Formava-se o bacharel
E o poeta impoluto
Sendo assim eu repercuto
Esse atentando, um horror!
É muita falta de amor
Essa ação predatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor

Já derrubaram sem pena
A casa de Marieta
Uma prefeita cruzeta
Foi autora dessa cena
Uma questão obscena
Demonstrando o despudor
Temos pouco defensor
Para ação conservatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Fabio Mozart

“Moleque Ricardo” vem
Acender o “Fogo Morto”
O meu pensamento torto
Viaja naquele trem
Os “Cangaceiros também
Se embalam nesse vapor
E vem com todo estupor
Pôr cobro nessa escória
Que quer rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Para sempre na lembrança
Ficaram “Meus verdes anos”
“Doidinho” não causa danos
“Pureza” lembra a criança
“Banguê” já teve pujança
O “Riacho doce” sabor
Riquezas de um contador
Legado pra nossa história
Ninguém rasga a memória
De Zé Lins,o escritor.

Senta na “Pedra bonita”
O “Menino de engenho”
“Usina” requer empenho
Para vencer a desdita
A “Água mãe” que agita
“Eurídice” retrata a dor
A obra do grande autor
Já alcançou a vitória
Não rasgarão a memória
De Zé Lins, o escritor

© Luciene Soares

Grande vergonha e nojo
Desfazer da criatura
De memória e cultura
De quem podemos falar
Escritor que posso orgulhar
De dá atenção valor
Ignorante do terror
Quer apagar a história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Itabaiana sem amor
Zé Lins querem desabrigar
Sem cultura quer brigar
Mas tem gente que condena
Quem destrói falta pena
E ter pena e calor
Para poder dá valor
Monumento e história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

A casa que o escritor
Antes recebeu lição
Estão botando no chão
E uma parede já partiu
Que chega o brilho saiu
Do escritor bem doutor
De Maciel professor
Foi-se também a história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Antônio Marcos G. Monteiro

José Lins é de Pilar
Cidade paraibana,
Mas foi em Itabaiana,
Que veio se aprimorar
Na leitura, pra embarcar,
Nesse mundo promissor
Foi poeta e promotor,
E assim entrou pra história;
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

A questão que se apresenta
Mais parece um pandemônio;
Destruir um patrimônio
Da história, a gente lamenta;
Aquele prédio que ostenta,
Um passado acolhedor,
Não deve se decompor,
De maneira aleatória;
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Um nome considerado
Um vate reconhecido,
Um escritor bem polido,
Que orgulhou seu estado;
Preservar esse legado,
E demonstrar seu valor,
Não é fazer-lhe favor,
Mas, sim conferir-lhe glória;
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Aonde o aprendizado
De José Lins teve início,
Sabemos q’esse edifício,
Está pra ser derrubado;
Era pra ser restaurado,
Com carinho e com amor,
É sábio qualquer gestor,
Que age de forma notória;
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Carlos Aires

No céu que cobre Pilar
Nasceu uma grande estrela
Iluminando a janela
Da cultura no lugar
Do Rego, do Rio ao mar
Nos legou grande valor
Mostrando a todo vapor
Os relatos da história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Escreveu com muito empenho
Sapiência e sutileza
A vida e a natureza
Do Menino de Engenho
Fazendo quase um desenho
Do Engenho Corredor
Deu muitas lições de amor
Sem precisar palmatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Na cidade Itabaiana
Estudou nos Verdes anos
Aprendeu traçar os planos
Em meio ao ciclo da cana
Sua escrita é soberana
Nos romances de valor
Riacho Doce é amor
Uzina e Pureza é glória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Seus escritos formam um Rio
Nos maiores aguaceiros
Ao escrever Cangaçeiros
Água-mãe num desafio
O Fogo morto é sombrio
Eurídece o drama e a dor
Totonha é um esplendor
No contar da sua História
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Esse tema desafia
E põe a cultura em xeque
Mais eu vou abrir o leque
Conclamando a Academia
Como escudo de água fria
No vulcão devorador
A defender esse autor
Na certeza da vitória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Thiago Alves

Foi “Doidinho” ambientado
Nas ruas de Itabaiana
Essa novela humana
Fez Maciel consagrado
Por ele ter ensinado
Ao filho do Corredor
Porém agora essa dor
Da atitude vexatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Em Porto Alegre se guarda
A Casa Mário Quintana
Porém em Itabaiana
Que já viveu na vanguarda
Usa-se a alabarda
O contrassenso agressor
O laivo destruidor
D’uma alma merencória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Do autor d’A Bagaceira
Preserva-se a sua casa
E nela o povo extravasa
Na intelectual bandeira
Que vai abrindo clareira
E forjando o pensador
Na Itabaiana, doutor,
Numa ação compulsória,
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

O seu “Menino de Engenho,
“Doidinho”, também “Banguê”
Eu pergunto a você
Onde acharão empenho?
Por isso que pedir venho
Ao IPHAEP um favor:
Não deixe o destruidor
Macular nossa história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Sander Lee

Desprovido de cultura
São esses ricos de tédio
Que querem acabar o prédio
Destruir sua estrutura
Quem e leigo não procura
Saber qual e o valor
Confunde mal com amor
Cospe em cima da historia
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Esse escritor do passado
Tem seu valor alegórico
Todo patrimônio histórico
Merece ser respeitado
Todo gênio e consagrado
Por que tem mérito e valor
Não vejo destruidor
Que mude essa trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Biu Salvino

A cultura se fortalece
Na base da união
Passando de geração
E a vida enaltece
Pois o artista merece
De ter assim mais valor
A arte dispõe seu amor
Na queda ou na vitória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor

© Poeta Esperantivo

Nessa hora me atenho
E mando meu aconchego
Para José Lins do rego
Faço a estrofe e resenho.
O Menino de Engenho
Retrata o agricultor,
Outro livro de valor
Fogo Morto faz história.
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Esse filho de Pilar
Do solo paraibano,
Sendo grande ser humano
Temos que homenagear.
Pra ele vou declamar
E carregar seu andor.
Admiro esse senhor,
Seu estilo e oratória.
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Falou no ciclo da cana
E no trabalho rural
Sua obra magistral
Foi da Usina a savana.
Falar nele me ufana,
Dele serei defensor.
Quem quiser se contrapor
Não alcançará vitória.
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Quem pensa que é proeza
Omitir-lhe sem porquê,
Não sabe o que é Banguê
Nem Usina, nem Pureza.
Vamos fazer a defesa
Sem mágoa, sem dissabor,
Ele foi possuidor
De bonita trajetória.
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Na Paraíba nasceu,
Em Recife residiu.
Para o rio ele partiu
Onde por lá faleceu.
Tudo quanto escreveu
Foi com esmero e amor,
Autêntico trabalhador
De atuação notória.
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Eduardo Viana

Eu amo a literatura
Nela encontro aconchego
As obras de “Lins do Rego”
Têm em si magistratura
É um leite sem mistura
De excelente sabor
Que alimenta o leitor
De uma forma elevatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Calcei o par de esporas
Tomei dois dedos de vinho
E fui reler o “Doidinho”
Pra tirar os “noves-foras”
Passei a contar as horas
Pra defender o mentor
Dessa obra de valor
Como causa obrigatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Lendo “Usina” com empenho
Sentimos o cheiro da cana
De Pilar à Itabaiana
Muito pouco muda o cenho
“Doidinho” luta ferrenho
Se contrapondo ao “Doutor”
“Banguê” narra outro fator
Da força em declinatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Como quem persegue um touro
Na jurema e caruá
Sem medo do mangangá
Eu topo esse desaforo
Que “Lins do Rego” é o ouro
Como grande preletor
De todo aquele leitor
Da boa escrita notória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins o escritor.

Tomei o laço na mão
De corda de couro cru
Pra laçar esse zebú
Que quer botar “Zé” no chão
Montado em meu alazão
Derribo o mandingador,
Pois sou admirador
Dessa bela trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Thiago Alves

É, meu fíi; isso é Brazí;
Nada aqui me surpreende.
Tanto taivêiz e depende,
Faiz a gente sucumbi.
Minha Natá-RN, meu Carirí-PB,
A terra qui me adotô,
Disabafo, meu sinhô;
Zé Llins do Rêgo é históra,
Quere rasgá a memóra,
De Zé Lins, o iscritô...

© Bob Motta

Quando ia se banhar
Lá no rio Paraíba
Aquele grande escriba
Buscava se inspirar
Nas paisagens do lugar,
Do engenho corredor,
Mostrando o seu valor
Alcançou a sua glória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Aquele prédio escolar
Onde Zé Lins estudou
Foi lá onde abraçou
E começou se letrar
Valorizando o lugar
Merece todo louvor,
Ao destruir sinto dor,
É acabar com história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Estão querendo acabar
O nome de um baluarte,
Um escritor que na arte
Não se pode ultrapassar,
Do engenho de Pilar
Voou feito um condor
No  engenho Corredor
Viveu momentos de glória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Estudou em Itabaiana,
Este escritor afamado
Prá nós deixou um legado
Literatura bacana,
Contou o ciclo da cana
Por isso faço um  clamor
A quem for destruidor
Faço essa rogatória
Querem acabar com a história
De Zé Lins, o escritor.

© Carlos Alberto Rodrigues

Repare o que estão fazendo:
Meu compadre José Lins
Honrado até os confins
Hoje aqui está padecendo
De agravo vil e horrendo
Por um tal usurpador
Que enegrece o alvor
De dourada trajetória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Não derrubem a escola
Onde a arte começou!
Pois se o bordão apeou
Não se ouve mais a viola
Em vez disso a padiola
Tal qual fúnebre andor
Leva consigo o dulçor
Conduz mortiça a história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

A cultura popular
Riqueza maior que ouro
Parecida é com o louro
Que serve para adornar
O vencedor a cantar
Conquistas de mui valor.
Demoli-la com trator
É desprezar a vitória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

 © Lorena Alysson

José Lins do Rêgo tem
Sua história na Cultura.
Ninguém rasga uma “figura”
Que figura o que contém.
Suas obras são pra quem
Aprendeu a dar valor.
Eu recomendo ao leitor
Conhecer a sua história!
Querem rasgar a memória,
De Zé Lins, o escritor.

Imortal já se tornou
Suas obras literárias.
Suas crônicas são lendárias,
Há quem leu e quem gostou.
O seu trabalho ficou
Na vida de um sonhador.
Meu peito enche-se de dor
Se mancharem sua história.
Querem rasgar a memória,
De Zé Lins, o escritor.

A nossa literatura
Ganhou muito com Zé Lins.
Perfumou nossos jardins
Com sua fragrância pura.
Quem não gosta de cultura
Não critique, por favor,
Esse Dom que tem amor
E Deus nessa trajetória!
Querem rasgar a memória,
De Zé Lins, o escritor.

© Sônia Gervásio

Como se rasga papel
E se joga pelo chão
Rasgado é o coração
Quando um ente vai pro céu
A abelha perde o mel
O céu perde sua cor
Quando o homem sem amor
Desrespeita a história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

© Tiago Monteiro

Algo está acontecendo
E é preciso ter cuidado,
Pois estou desconfiado
De que um plano vil, horrendo,
Ganha forma e vem crescendo!
Sempre há grupo traidor
Que desdenha o bom labor
Por inveja ou outra escória!
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor!

Esse engenho entretecido
Por quem não conhece a Arte
Da premissa tola parte
De que já foi esquecido
E não mais tem sido lido
Esse Marco como autor;
De histórias, contador.
Tentativa vil, inglória:
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor!

É um crime esquecê-lo!
Esse fruto de Pilar
Pilar veio se tornar.
Serve, sim, como modelo
Sua escrita que, com zelo,
Faz-nos ver amor e dor
Nas palavras, sim senhor!
Não se apaga bela História,
Mas querem rasgar memória
De Zé Lins, o escritor!

© Ronaldo Rhusso

Quem bole com patrimônio
Também se bole com lágrima
Concretiza-se em lástima
Está lhe faltando neurônio
É um praticado errôneo,
Uma falta de amor
Com o filho do Corredor
Que será uma escória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins o escritor!

Eu extrapolei a glosa
Com duas rimas a mais
Porque o tema nos traz
Uma página dolorosa,
Pois uma lei poderosa
Não tem para o predador
Que transforma o bem em dor
Verdadeira vexatória !
Querem rasga a memória
De Zé Lins o escritor!

© Orlando Otávio

Uma memória esquecida
É uma cantiga calada
Uma rima não rimada
É a identidade perdida
A quem o escrito deu vida
Quem teve todo vigor
Escreveu com muito amor
Entrou pra nossa história
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

O menino no engenho
Contou uma ação vivida
Recantos dores sentida
E fez isto com empenho
Relembrá-lo hoje venho
Alçados de esplendor
Onde se formou doutor
Há uma ação predatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins, o escritor.

Quem a história contou
Lido, relido, filmado
Merece ser respeitado
Qu'em  Itabaiana estudou
O seu canto ecoou
Com a marca do amor
E agora sem senso e dor
Faz uma ação vexatória
Querem rasgar a memória
De Zé Lins o escritor!

© Carlos Dunga Júnior