terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cultura de Migalhas

É público e notório que os poderes públicos, seja a nível nacional, estadual ou municipal, não têm tratado a cultura e os artistas como deveriam. 

O presidente Temer, em uma de suas primeiras ações, unificou o Ministério da Cultura ao da Educação, tentando jogar pelas vielas do esquecimento as grandes conquistas culturais dos último anos. Por sorte, união e pressão dos artistas, ele voltou atrás e o Ministério continua vivo, respirando por aparelhos, mas vivo.

Em se tratando dos estados, poucos são os que ainda mantêm uma Secretaria de Cultura autônoma, desvinculada à Educação (ou outras pastas) e com programas e projetos de fomento que funcionam de verdade, como é o caso de Pernambuco e da Paraíba. É pouco, mas é alguma coisa. É preferível meio copo de água por dia a morrer de sede, não que devamos nos contentar com pouco, mas é melhor que nada.

Quando trazemos a questão ao nível municipal, aí é que a decepção aumenta. Pouquíssimas cidades brasileiras têm Secretaria de Cultura desvinculada, pois os prefeitos preferem deixá-las juntas com outras pastas, assim economizam em pagamento de pessoal, aluguel de prédio (quando é o caso) e verba direta destinada, afinal “arte e cultura não dão retorno, são coisas de quem não tem o que fazer”, assim justificam alguns gestores.
Outras cidades até mantêm uma Secretaria de Cultura instalada, mas por falta de interesse e/ou de capacidade dos gestores, servem apenas de cabides de empregos para que os apadrinhados (sem habilidades artísticas ou sem vivência cultural alguma) possam ficar acomodados, recebendo os seus “suados” salários.

Mas nem tudo está perdido, pois ainda existe cidades que fazem funcionar, de maneira efetiva, suas Secretarias de Cultura, como é o caso de Bananeiras e Sapé, ambas na Paraíba, dentre outras, fazendo com que a chama do “fazer cultural” em sua essência seja preservada e nos dê a esperança que encontraremos terra firme um dia.