segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Onde estão os maleteiros?


Há alguns anos, quem visitava as feiras livres sempre se deparava com um homem, geralmente de meia idade, com sua maleta no chão, expondo os mais variados cordéis para venda, venda essa que era fortalecida pela forma que eles atraiam os futuros leitores, “cantando” uma parte do cordel e aguçando a curiosidade dos presentes em saber o final da história, fazendo com que eles fossem quase que obrigados a comprar o folheto e descobrir o desenrolar do enredo. Receita infalível!

Hoje, é quase impossível encontrar esse personagem, ou melhor, é quase impossível encontrar um cordel à venda nas feiras ou em qualquer outro lugar. Quando vemos, são em bancas de revistas, ali, num carinho, quase que imperceptível aos olhos dos transeuntes.

Ainda encontramos cordéis nos eventos de poesias, onde os próprios poetas expõem seu trabalho ao público e, de certa forma, conseguem manter viva a alma do maleteiro, se bem que os maleteiros modernos, nem maletas têm.

A causa da extinção do maleteiro raiz é assunto amplo. Uns dizem que a internet os matou, outros dizem que o folheto de cordel (não a poesia de cordel, falo apenas do livreto de papel em si) está quase que descartável, por isso que muitos dos poetas, como é o caso do grande mestre Antônio Francisco, prefere selecionar algumas histórias e publicar um livro como coletânea, ao invés de vários cordéis.

Independente do motivo, uma coisa não há de se negar: a extinção dos maleteiros levou consigo um pouco da magia e da riqueza de nosso cordel.

Tiago Monteiro
Poeta, cordelista e produtor cultural.

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