segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Para que servem as academias literárias?


Dificilmente um escritor não ficaria feliz em ser indicado para se tornar imortal na Academia Brasileira de Letras, pois lá, teoricamente, estão os grandes escritores brasileiros ocupando cadeiras apadrinhadas com outros também grandes escritores.

Assim como se banaliza tudo no Brasil, as academias literárias também foram banalizadas. Todos os dias encontramos na redes sociais uma página da Academia de Letras não de onde, da Academia Virtual não se de quê, da Academia de Cordel não sei das tantas... que diariamente recebem novos indicados para compor seus quadros de “imortais”.

Perdeu-se com isso um pouco do encantamento de figurar nos quadros de uma Academia Literária, pois hoje as indicações visam, em muitos dos casos, apenas mais alguém pra pagar a anuidade da instituição, onde muitas das vezes as escolhas não se dão com o critério que deveriam.

É bem verdade que a qualidade dos escritos está no campo da subjetividade, o que pode ser um bom romance pra mim, pode ser fraco pra outra pessoa, o que parece que tem muita poesia pra cicrano, pra beltrano pode ser apenas um emaranhado de versos ruins, enfim... não nos cabe julgar, o que nos cabe é buscar entender para que, afinal, servem essas academias?

Serviriam elas apenas de status? Seria apenas mais um título para que os escritores possam exibir orgulhosos e se sentirem melhores que os outros? Não deveriam as academias se preocuparem com o fomento à leitura, principalmente nas escolas? E as academias de cordel, não deveriam se preocupar também na formação de novos cordelistas, assim como na pesquisa acerca da literatura de cordel, ao invés de buscarem apenas palcos?

São tantas as perguntas que esse “imortal” aqui não consegue encontrar respostas. A única certeza que tenho é que nesses dias teremos mais imortais que gente de carne e osso.

Tiago Monteiro
Poeta, cordelista e produtor cultural

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